O dia 29 de maio de 1953 marcou um antes e um depois na exploração humana de alta montanha. Nesse dia, o neozelandês Edmund Hillary e o sherpa nepalês Tenzing Norgay alcançaram pela primeira vez o cume do Monte Everest, o ponto mais alto da Terra, com 8.848 metros.
A expedição britânica que tornou possível o feito culminava décadas de tentativas falhadas, estudos geográficos e avanços técnicos.
Mais do que uma conquista desportiva, a ascensão representou a capacidade humana de se adaptar a ambientes extremos e ampliou o conhecimento sobre fisiologia, climatologia e logística em grande altitude.

Preparativos e partida da expedição britânica
A expedição de 1953 foi organizada pelo Reino Unido sob a direção do coronel John Hunt, combinando experiência militar, científica e alpinista. A equipa incluía montanhistas, médicos e sherpas especializados em transporte e aclimatização.
No início da primavera, o grupo partiu do Nepal seguindo a rota do glaciar Khumbu, uma via estudada em expedições anteriores.
Durante semanas, os alpinistas estabeleceram acampamentos progressivos para se adaptarem à falta de oxigénio. Este processo de aclimatização era essencial para evitar o mal de altitude.
O uso de equipamentos de oxigénio suplementar, roupa térmica avançada e técnicas de corda permitiu superar zonas perigosas como a Cascata de Gelo do Khumbu e a parede do Lhotse.
O planeamento logístico foi decisivo: cada acampamento funcionava como base de abastecimento e descanso, garantindo a continuidade da ascensão.
A ascensão final rumo ao cume
No final de maio, após várias tentativas preparatórias, Hillary e Tenzing foram selecionados para o assalto definitivo.
Partiram do acampamento superior, situado a mais de 8.500 metros, uma altitude onde a pressão atmosférica reduz drasticamente a capacidade respiratória.
O avanço foi lento e técnico, marcado por encostas geladas e cornijas instáveis.
Um dos momentos críticos foi a superação de um ressalto rochoso próximo do topo — posteriormente conhecido como o “Degrau Hillary” — que exigiu manobras precisas com grampões e corda.
Após horas de esforço em condições extremas de frio e vento, ambos alcançaram o cume a meio da manhã do dia 29 de maio.
Permaneceram lá cerca de quinze minutos, documentando a conquista com fotografias e deixando pequenos objetos simbólicos antes de iniciarem a descida.

No topo do mundo: O significado por detrás da conquista
O êxito de Hillary e Tenzing teve uma dimensão científica, cultural e simbólica.
Confirmou que o ser humano podia operar eficazmente na denominada “zona da morte”, onde o oxigénio é insuficiente para sustentar funções normais. Além disso, valorizou o papel dos sherpas, fundamentais na logística e segurança das expedições na região montanhosa dos Himalaias.
A notícia difundiu-se internacionalmente como um triunfo do alpinismo moderno e coincidiu com a coroação de Isabel II, o que amplificou a sua repercussão mediática, fazendo com que a imprensa britânica associasse ambos os acontecimentos como símbolos do prestígio nacional num momento de grande atenção mundial.
O Everest deixou de ser um limite inalcançável e passou a tornar-se uma referência para futuras explorações de alta montanha.
A descida e as consequências para o alpinismo
Embora alcançar o cume fosse o objetivo principal, a descida revelava-se igualmente perigosa devido ao esgotamento e à perda de concentração.
Hillary e Tenzing regressaram com êxito aos acampamentos inferiores, onde a equipa confirmou a ascensão. A segurança do regresso consolidou a conquista como uma expedição completa e bem executada.
A partir de 1953, o alpinismo experimentou uma transformação técnica e cultural. Aperfeiçoaram-se equipamentos, protocolos de aclimatização e métodos de resgate.
O Everest tornou-se um laboratório natural para o estudo da resistência humana em altitude extrema.
A ascensão demonstrou que a combinação de planeamento científico e cooperação internacional, uma vez que a experiência local dos sherpas nepaleses que guiaram a expedição britânica foi essencial para a subida, podia superar desafios considerados impossíveis até então.










