Fevereiro foi um mês crucial na história de Espanha, marcado por acontecimentos que impactaram a política, a sociedade e a defesa militar do país.
Dos episódios decisivos da Guerra Civil de Espanha aos avanços na autonomia regional, este mês deixou a sua marca na memória coletiva.
De seguida, apresentamos factos históricos verificáveis, organizados cronologicamente, com as suas causas, desenvolvimento e consequências.
1937 — Massacre da Estrada Málaga-Almería (La Desbandá)

Entre 6 e 8 de fevereiro de 1937, após a queda de Málaga para o lado rebelde, milhares de civis iniciaram a retirada em direção a Almería pela estrada N-340, conhecida por La Desbandá.
Durante a fuga, a coluna de refugiados foi atacada por terra, mar e ar pelas tropas de Franco e pelas forças italianas e alemãs, provocando entre 3.000 e 5.000 baixas civis.
A magnitude da tragédia, com um êxodo de entre 100.000 e 150.000 pessoas, demonstra o impacto humanitário da guerra e da repressão exercida sobre a população civil na Espanha republicana.
A Desbandá é considerada um dos episódios mais sangrentos do conflito, refletindo a violência indiscriminada contra civis e o contexto militar da Guerra Civil.
1939 — Rendição de Menorca

No final da Guerra Civil, entre 4 e 9 de fevereiro de 1939, Menorca, o último bastião republicano nas ilhas Baleares, rendeu-se às forças de Franco após negociações mediadas pelo governo britânico.
O capitão republicano Luis González de Ubieta articulou a rendição pacífica da ilha, permitindo que os oficiais e civis republicanos embarcassem no HMS Devonshire em direção a Marselha.
Este acontecimento marcou o fim do controlo republicano nas ilhas Baleares e facilitou a transição para a ocupação franquista sem grande derramamento de sangue, semanas antes do fim oficial da guerra, em Abril de 1939.
1958 — Operações militares em Ifni

Em fevereiro de 1958, durante a Guerra de Ifni, a Espanha realizou operações ofensivas no Saara espanhol e no território de Ifni para impedir incursões de grupos armados marroquinos.
Após a independência de Marrocos em 1956, o novo Estado reivindicou a soberania sobre Ifni e as zonas da África Ocidental sob controlo espanhol.
As ações de fevereiro consolidaram as posições defensivas espanholas e prepararam as negociações que culminariam no Tratado de Angra de Cintra, estabelecendo a cedência de parte do Saara espanhol.
A ofensiva reflecte a importância estratégica do enclave e o contexto da descolonização africana no pós-guerra.
1980 — Referendo sobre a Autonomia da Andaluzia

A 28 de fevereiro de 1980, os cidadãos da Andaluzia votaram em referendo a aprovação do Estatuto de Autonomia da Andaluzia, um passo fundamental na construção do Estado das Autonomias.
Com 94,19% de votos afirmativos, o resultado permitiu o início do processo de autogovernação da comunidade, consolidando a sua integração no âmbito da Constituição de 1978.
Este marco representa a expressão democrática da vontade regional e o desenvolvimento da autonomia em Espanha, servindo de referência na organização territorial e política do país.
1981 — Tentativa de golpe de Estado

A 23 de fevereiro de 1981, o tenente-coronel Antonio Tejero Molina invadiu o Congresso dos Deputados durante a votação de posse de Leopoldo Calvo-Sotelo como presidente do governo.
Simultaneamente, o Tenente-General Jaime Milans del Bosch mobilizou tropas em Valência.
O golpe falhou devido à falta de apoio da maioria das Forças Armadas e à firme intervenção do Rei Juan Carlos I, que defendeu a Constituição de 1978 numa mensagem televisiva.
A rendição dos golpistas ocorreu às primeiras horas do dia 24 de fevereiro, consolidando a democracia espanhola e a legitimidade institucional.





